15 de janeiro de 2018

A vida se conta?


Questiona meu ser: A vida se conta?
Em primaveras, anos que abrem e fecham em data específica
É assim que eu conto a vida?
Não, para mim não é assim.
Eu conto a vida em experiências vividas
Emoções adquiridas e até mesmo em silêncios memoráveis
No deitar na rede e viajar em pensamentos
Mergulhando no passado saudoso
Refletindo no futuro misterioso
E vivendo o hoje, o hoje que me possibilita a viajar entre esses dois mundos
Do concretizado ao sonhado
Eu fecho os meus olhos e digo:
Obrigada vida! É assim que eu te conto
Não em comemorações de algo que eu não sei bem o que é
Amigos? Conquistas? Um bolo, uma festa não vai me fazer tão feliz
Do que poder andar descalça como sempre andei
Abrir os braços e rodar, rodar sorrindo
Olhando o céu azul mesclado em branco de nuvens que vem e vão
E gira, como é bom ver o mundo girar
Assim eu conto a vida, mas o bom mesmo seria nem mesmo contar
Apenas apreciar o doce abrir dos olhos nas manhãs com raios de sol
E se for chuva? Ainda melhor! Na cama mais alguns minutos para eu me espreguiçar
Tanto faz que corram as horas, que o dia logo vai passar
Eu estou viva, respirando, então só quero aproveitar!
Acariciar a roseira do meu jardim, dar bom dia ao meu filho-cachorro
Sentir o cheiro de café que abençoa o dia novo
Dia menino, dia moço, dia velho e logo chega ao fim
E ao fechar seu ciclo, eu pergunto a mim:
Vivi da melhor forma este dia? Eu torço para que sim!
E assim, dia após dia vamos abrindo e fechando ciclos
Nos aventurando e correndo riscos
Aprendendo com erros e acertos
Transformando o menos em mais
Sem cronometrar as horas felizes ou tristes
Para que nem uma, nem outra seja grande demais
E assim acrescento na vida minhas realizações e decepções
Fazendo dela a minha arte, o meu dever, a minha parte
E feliz fico em poder desfrutá-la
Vida minha, vida tua, para quê contá-la?
Apenas viva, dia após dia, passo por passo
Realizando o seu melhor tanto para ti
Quanto para os que escolheram viver ao teu lado
Nem anos, nem dias, nem horas, nada, nada...
Tenha a idade que seu coração quiser lhe dar
E que a juventude nunca falte em sua alma
Para ser feliz de verdade...
A nossa vida nunca deveria ser contada!
Apenas relembre do passado e sonhe com o amanhã
Mas não deixe de viver o hoje
Seja grato, verdadeiro e faça do menos o mais importante
Aprenda e repasse o que aprendeu
Afinal de contas a vida não nasce pronta
E é por isto, que fecho esta escrita com a mesma pergunta
Caros amigos, me respondam:
A vida se conta?


Debora

23 de setembro de 2017

Sobre a Vida



Na vida dificilmente temos bons ouvintes, até mesmo bons observadores. Eu no meu total me considero uma boa ouvinte e consequentemente, uma boa observadora. Entre tantas idas e vindas de um lugar para o outro, eu consigo mesmo a partir de detalhes mínimos, compreender e encontrar poesia nas coisas. 
Entre palavras e silêncios, canções cantadas ou somente tocadas, a vida vai tecendo sua vestimenta. Tantas vezes achamos que nossa vida é ruim, cheia de problemas, daí olhamos para os lados ou deixamos que alguém nos conte um pouco de suas experiências e percebemos o quanto tolos nós somos. Por isso devemos ser sempre gratos pelo muito e pelo pouco, pela alegria que contagia e pela dor que nos faz aprender.
Ao observar o mundo ao meu redor, consigo perceber que mesmo em momentos que poderiam ser vividos de olhos fechados, tudo ganha cor, sentimentos, e que pena que nem todos consigam ver a vida dessa forma.

Ao acordar, saio para o trabalho e o sol ainda é novo, vem nascendo aos poucos. Seus raios tímidos aos poucos vão se espreguiçando e antes de no trabalho chegar, ele já está radiante, dono de toda a luz...e assim o dia passa. Entre tantos afazeres, correrias e preocupações, o dia se vai e volto eu para casa, cansada, ainda com o sono da manhã passeando pelos meus pensamentos, mas não há uma tarde de sol que eu voltando do trabalho, ao passar por um específico trecho do caminho, não aprecie uma das cenas mais belas que admiro desde a infância: quando o sol se deita no horizonte das montanhas. Ali consigo perceber o quanto somos abençoados por poder desfrutar de momentos e imagens que trazem paz à nossa alma. Desde sempre penso nesse fim de tarde como um quadro pintado por Deus. Perfeito!


E assim segue a vida. Ouvindo histórias alheias, ajudando senhores a atravessar a rua, abraçando as crianças do trabalho, lutando com meus estudos na certeza que um dia conquistarei os meus objetivos. Sei que nem sempre tudo é poesia, nem sempre é gratificante. Por vezes é doloroso, até mesmo estressante, mas assim é vida. Cheia de altos e baixos. Imagine só se a vida fosse só felicidade, ou só tristeza? Não. Você tem a oportunidade de orquestrar a sua vida, mudar o tom, pintar a nível de uma aquarela. Você é o dono da sua vida!

Mas não se esqueça...sendo você o responsável, não pode culpar ninguém quando algo dá errado. As escolhas são pessoais e particulares. Então, no seu dia a dia comece a perceber a poesia das ruas, as pessoas que passam de lá pra cá, as risadas, as conversas sem sentido, depois desligue-se, coloque uma música no play, coloque os fones no ouvido e silencie as vozes exteriores, apenas observe, agora com a música de fundo, a natureza, se é dia de sol, aprecie o céu, as poucas nuvens, o sol em sua totalidade. Se for dia de chuva, aprecie as gotas, os pingos que descem de pouco em pouco e juntos vão criando poças, atrapalhando o caminho dos carros, fazendo os pedestres correrem. Veja poesia em tudo! Quando chegar em casa, deite e aprecie todas as lembranças boas que passearem por sua cabeça. Desfrute sempre da magia que a vida cria, todos os dias e cabe a você perceber e sintetizar tudo isso.

Não deixe nunca de apreciar a vida, pois a a vida...É ÚNICA!

31 de julho de 2017

E como é bom sentir saudade...



Hoje eu me peguei à procura de uma conversa entre amigos na qual alguém me mandava uma única palavra no corpo do email: Saudades..

Então vamos falar de saudades. Ela fica ali bambeando entre o que faz sorrir e o que faz sofrer. Saudade é quando o passado lhe remete algo que falta no seu presente...e por falar em presente, saudade é justamente quando alguém que gostamos de verdade está ausente.

Saudade é aquela lembrança ainda do tempo de menino, dos namoros no portão, da mãe cuidando e colocando nos braços. Saudade também é dor, um risco feito à faca ao recordar-se que a saudade daquela certa pessoa nunca mais poderá ser amenizada. A saudade dos que partem, dos que ficam em silêncio, dos que ignoram...

Mesmo assim saudade é uma palavra que continua a nos embolar os pensamentos. Se quebra entre suas nuances e ora se faz substantivo ou adjetivo, mas fato é que a saudade é um negócio que palavras a mais nunca traduziriam. É um sentir universal, é aquele abraço apertado e tão profundo que afoga a alma, é quando se fecha os olhos e pode se chegar a outros mundos e reencontrar àquele ou àquela que nunca mais poderá conviver novamente.

Saudade dói. Nossa! Como dói, mas na sua dor nos diz exatamente: Hey, você está vivo! Ou você me faz de dor eterna, ou me lança pra alto e vai buscar aquilo ao qual tanto sente falta.

Saudade se aplica no cheiro, na imagem, no som e até mesmo no silêncio...

E como é bom sentir saudade, saber que tem sentimento no peito,que não nasceu a esmo...Que bom é sentir saudade e deixar o coração transbordar de lagrimas e sorrisos...Se entregar sem medo do ridículo, do disse me disse. Eu quero sentir! Eu quero experimentar...nem que isso me deixe numa bad arrasada por vários dias. Uma hora ela se transforma tal qual a lagarta que no seu tempo se torna uma grande borboleta colorida. Que venha e faça de mim sua morada.

Quero sentir saudade das noites de chuva batendo no telhado, do riso das crianças brincando no quintal, das flores pequeninas que crescem no jardim, do beijo da mãe e o cuidado do pai. Que a saudade seja um beijo lançado à lua e que alcance também as infinitas estrelas.

Saudade...falta...saudade...presença. Presença na falta. Saudade dentro da saudade

Eu não me poupo em nada...dessa vida quero sempre mais e o melhor e se eu tiver que sentir falta de tudo que já se foi para ter a certeza de que vivi plenamente, me deixa sentir falta de ti...que não está mais aqui, que foi e levou um pedaço de mim. Deixa eu chorar sorrindo das nossas lembranças juntos, deixa eu ser a criança que colore o futuro a partir de uma lembrança saudosa do passado.

Não vou me privar de nada. Diante dessa fato eu digo daqui, você diz daí a quem quer que seja, a quem quer que se foi: Hoje eu quero sentir saudade!

Sentir saudade nada mais é que SENTIR-SE!

Debora

17 de junho de 2017

A escrita de Virgínia Vitorino


Hoje vamos falar sobre a dramaturga e poetisa portuguesa Virginia Vitorino. Virgínia (1895-1930) nasceu em Alcobaça, mas assim que cresceu foi para Lisboa estudar e até onde a história nos conta, em tudo que se arriscava incrivelmente dava certo. E não é para menos. Virgínia parecia viver além de seu tempo e era dedicada em todos os seus ofícios, tendo sido uma das maiores poetisas de sua época e hoje se faz esquecida por muitos, mas há registros que confirmam sua grandiosidade que começa bem antes de Florbela Spanca começar a se destacar também por sua escrita. Hoje encontramos mais pessoas que conhecem o trabalho de Florbela, claro também muito importante, mas desconhecem totalmente as obras de Virgínia.

Virgínia começou a escrever poesia e lançou três livros, mais adiante se arriscou na dramaturgia e escreveu 6 peças teatrais que mostravam como vivia a sociedade naquela época e sua escrita era simplesmente perfeita, correta e original. Formada pela Faculdade de Letras de Lisboa, Virgínia foi também professora do Conservatório Nacional de Lisboa e trabalhou na Emissora Nacional, dirigindo peças radiofônicas.

A escrita de Virgínia merece destaque no Palavra Versátil justamente pelo bom uso da palavra que de forma clara e concisa nos enreda aos sentimentos descritos sem muitas voltas. Virgínia escrevia com a alma, sem a artificialidade do escrever por escrever. Sua escrita tinha muito de si e sua carga poética pode ser vista em suas obras, por exemplo a que dá título: Namorados. Este livro que foi e publicado em 1918 já teve cerca de 14 edições. 

Destaco aqui então algumas de suas poesias que se encontram no livro Namorados, que me atingiu em cheio, pois retrata o amor dentre outros sentimentos de uma forma tão sublime, real e doce que acaba traduzindo o que nós mesmos sentimos e por vezes não conseguimos traduzir por meio de palavras. Que Virgínia Vitorino seja eternizada por sua dedicação à boa escrita e pelo belo trabalho trabalho que resumiu toda a sua vida como o amor à arte.





Fonte: Fundação Biblioteca Nacional

11 de junho de 2017

Conversa Literária



Neste final de semana participei, junto com minha amiga Flávia do evento "Conversa Literária" que não possui um lugar específico para acontecer, sendo conclamado em salas de leituras, auditórios, bibliotecas entre outros e tendo como objetivo principal, difundir a literatura de modo geral a todo tipo de público.
O evento deste final de semana ocorreu Casa de Artes, localizada na ilha de Paquetá e sua abertura foi feita pelo anfitrião José Lavrador que contou a história de Paquetá e logo após o almoço abriu-se a mesa de conversa com a presença de Alexandre Damascena, Domingo Gonzalez, Edna Bueno, Godofredo de Oliveira Neto, Hellenice Ferreira e Jorge Roberto Martins.
O tema da mesa 1 foi: A arte de contar, ler e escrever histórias e foi exatamente isto que aconteceu. Uma conversa tranquila em que os participantes da mesa, assim como os ouvintes falavam de suas experiências dentro da arte da contação de histórias, bem como da produção de contos, poesias e histórias variadas.

Achei particularmente incrível como as pessoas que ainda tem a arte como lema de vida, abraçam a causa da literatura, promovendo encontros como este, onde as pessoas conseguem mostrar suas experiências e todo o amor que sentem pela literatura. Foi nítida a emoção dos convidados ao falarem de suas primeiras experiências com o livro e como foi marcante pra elas aquele momento.


Depois da primeira conversa, foi feito o sorteio de muitos livros sendo eu uma das ganhadoras. O meu livro se chama "A Ficcionista" e foi escrito pelo professor Godofredo, que é escritor e professor da minha Universidade na área de Literaturas. Achei a forma de escrita bem diferente e interessante e em breve pretendo uma resenha e deixa-la registrada aqui.

Acredito que eventos como este são muito bons, pois inserem na sociedade atual um resgate à forma como se lê e o que se lê hoje em dia. Foi uma experiência maravilhosa estar ali e vivenciar esse momento tão marcante entre tantos amantes da literatura. Que venham mais eventos como este!
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